Pré – EPATESPO

O Pré EPATESPO aconteceu no dia 26 de janeiro de 2016 na sede da APCD Central, São Paulo com a presença de 130 participantes. Foram abordados os seguintes temas:

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Integralidade e atenção em saúde: gestão do Cuidado

Carlos Botazzo
Faculdade de Saúde Pública da USP
Fone: (11) 3061 8031 – (11) 99754 1231 / E-mail: botazzo@usp.br

Laura Camargo Macruz Feuerwerker
Faculdade de Saúde Pública da USP
Fone: (11) 3061 7796 / laura.macruz@usp.br

Geovani Gurgel Aciole da Silva
Faculdade de Medicina UFSCar

Entende-se a integralidade como forma de organizar a gestão do cuidado numa visão direcionada à ideia da totalidade do sujeito. Isso envolve trabalhar com um conceito mais amplo de saúde, com a idéia de equipe, com a ampliação do conceito de cuidado colocando as necessidades do usuário como tema central. Seu estabelecimento requer uma rede de serviços organizada com cooperação regional, que extrapola os limites dos municípios, dada a necessidade de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão.
O princípio de integralidade pode ser relacionado às práticas dos profissionais de saúde, à organização dos serviços e/ou às respostas aos problemas de saúde. Todos, entretanto, não devem constituir-se em células de trabalho isoladas, mas comungar na oferta de um cuidado equânime e integral, o que sinaliza para a constituição de macro-ambientes de saúde.
Com isso, a organização dos serviços de saúde requer uma visão ampliada das interações da realidade, principalmente no estabelecimento e ampliação das percepções das necessidades dos grupos, para adotar as melhores formas possíveis para responder às mesmas, promovendo ações para a cidadania e constituição de cidades saudáveis.

EPIDEMIOLOGIA EM SAÚDE BUCAL E VIGILÂNCIA À SAÚDE NO SUS

Luiz Sergio Ozorio Valentim
Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
Fone: (11) 3065 4648 / E-mail: lvalentim@cvs.saude.sp.gov.br

Antonio Carlos Pereira
Faculdade de Odontologia da UNICAMP
Fone: (19) 2106 5278 – (19 )99201 7329 / E-mail: apereira@fop.unicamp.br

Antonio Carlos Frias
Faculdade de Odontologia da USP
Fone: (11) 3091 7891/ 99607 2381 E-mail: acfrias@usp.br

Ao ponderar que saúde é um produto resultante de fatores econômicos, políticos, ideológicos e cognitivos, sugere-se que a saúde deva ser apreendida por um olhar interdisciplinar e que as práticas sociais em saúde devam dar-se na ordem da intersetorialidade.
A epidemiologia e a vigilância em saúde podem constituir-se instrumentos diagnóstico, monitoramento e avaliação para a consolidação de uma rede de atenção à saúde eficaz e eficiente, em todos os níveis de complexidade. São referenciais para os caminhos de defesa da vida, revelando danos, riscos, necessidades e determinantes dos modos de vida e saúde de grupos populacionais.
O movimento de defesa da vida requer uma epidemiologia crítica e propositora de mudanças nos mecanismos de produção da saúde, haja vista considerar que no saber epidemiológico as interações sociais podem ser evidenciadas em seus determinantes e iniqüidades, fundamento para uma intervenção eficaz e efetiva sobre os problemas e necessidades em saúde. Entretanto, há de se reconhecer, que tais necessidades não sejam apartadas dos impactos da cultura, da história política e econômica de cada comunidade e em cada época.
A vigilância em saúde é uma característica essencial da prática epidemiológica. Associa-se ao monitoramento de tendências da saúde e entende que é resultante de um processo de produção social que expressa a qualidade de vida de uma população, entendendo-se como qualidade de vida como uma condição de existência dos homens em seu viver cotidiano individual e coletivo. Noções de territorialização, integralidade da atenção e impacto epidemiológico, produzem um modelo de vigilância centrado na oferta de atenção e cuidado organizados, reorientam o planejamento de saúde para uma base populacional específica, recuperam o enfoque epidemiológico para o controle dos problemas de saúde e intervêm processualmente nos modelos assistenciais. Propõe a estruturação de um modelo de saúde que tenha por base a utilização dos saberes instrumentais da epidemiologia, da sociologia e do planejamento estratégico situacional. Preconiza a precedência desses saberes sobre a clínica no processo de conformação das necessidades da saúde.
Projetos de cidades saudáveis incorporam-se ao ideário da defesa da vida com estratégias de promoção da saúde, onde produzir saúde significa contribuir para o aumento do coeficiente de autonomia dos indivíduos e coletivos na administração da realidade do processo saúde-doença.
Epidemiologia e vigilância em saúde devem associar-se a uma plasticidade organizacional nos serviços de saúde, habilitando-os a absorver e a trabalhar além dos protocolos, para as aspirações em saúde de grupos e indivíduos.

PROMOÇÃO, PREVENÇÃO E EDUCAÇÃO EM SAÚDE

Samuel Jorge Moisés
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Fone: (41) 3271 1637 – (41) 9972 3858 / E-mail: s.moyses@pucpr.br

Maristela Villas Boas Fratucci
Fone: 11 9 9613 2861 – acmaris@gmail.com
Faculdade de Odontologia da USP
Prefeitura de São Paulo

A Política Nacional de Promoção da Saúde traz o conceito ampliado de saúde como um conjunto de estratégias e formas de produzir saúde com a capacitação da comunidade para atuar na melhoria de qualidade de vida e saúde no âmbito individual e coletivo, reduzindo vulnerabilidades e riscos à saúde decorrentes dos determinantes sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais e caracterizando-se pela articulação e cooperação intra e intersetorial, pela formação da Rede de Atenção à Saúde (RAS), buscando articular suas ações com as demais redes de proteção social, com ampla participação e controle social.
A promoção da saúde deve ser colocada na agenda de prioridades dos políticos e dirigentes em todos os níveis e setores, chamando-lhes a atenção para as consequências que suas decisões podem ocasionar no campo da saúde e para aceitarem suas responsabilidades políticas com a saúde, já que nossas sociedades são complexas e inter-relacionadas.
A responsabilidade pela promoção da saúde nos serviços de saúde deve ser compartilhada com atuação competente entre indivíduos, comunidade, grupos, profissionais da saúde e instituições que prestam serviços de saúde, apoiando o desenvolvimento pessoal e social por meio da educação para a saúde e intensificação das habilidades vitais, aumentando as opções disponíveis para que as populações possam exercer maior controle sobre sua própria saúde (autonomia) e sobre o meio-ambiente.
A educação em saúde, tendo como modelo emergente o dialógico, no qual usuários e profissionais são atuantes no compartilhamento de saberes, valoriza o espaço das relações interpessoais estabelecidas nos serviços de saúde como contextos de práticas educativas e assim, construindo novos sentidos e significados individuais e coletivos sobre o processo saúde-doença-cuidado.
Neste contexto, a atenção básica é um espaço privilegiado para desenvolvimento de práticas educativas em saúde voltadas à melhoria do auto-cuidado dos indivíduos, já que tem maior proximidade com a população e ênfase nas ações preventivas, vista como práticas específicas para a prevenir doenças de indivíduos ou populações.

PLANEJAMENTO, FINANCIAMENTO, MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO EM SAÚDE

Fernando Fiori de Godoy
Prefeito do Município de Holambra
Stela Felix Machado Guillin Pedreira
Fone: 3066 8506 / E-mail: sguillin@saude.sp.gov.br

As populações que vivem nas cidades estão sob diferentes fatores de impacto que modelam as características da vida urbana e suas condições de saúde. Compreender essa complexidade é essencial para a tomada de decisões sobre intervenções públicas nas cidades, principalmente na geração de municípios ou comunidades saudáveis. Estes, por sua vez, dependem de uma prática contínua de aprimoramento do ambiente físico e social, por meio de estratégias que priorizem a saúde dos cidadãos dentro de uma lógica ampliada de qualidade de vida, com ações intersetoriais e garantia de participação social. Uma cidade/comunidade saudável destaca-se por sua justiça social, pois as iniquidades se destacam entre as principais causas de deterioração da saúde, de maneira que pode-se dizer que a iniquidade crescente e a situação desigual de saúde e do acesso da população geraram a crise da saúde pública. Com isso temos ainda uma implantação parcial do SUS, revelado por evidências de que o volume de serviços oferecidos ainda é insuficiente. De qualquer modo, reconhece-se que esses recursos poderiam ter um uso mais adequado e racional com reordenações no modelo de gestão e de atenção. Nesse aspecto, ressalta-se o papel da construção de uma rede básica com ampla cobertura populacional e com capacidade de responder adequadamente aos diferentes níveis de necessidades.
A gestão para a saúde fundamenta-se na importância de fortalecer as funções essenciais que competem ao Estado na perspectiva de melhorar a prática de saúde pública, construindo instrumentos capazes de avaliar a atual situação, identificando áreas críticas que precisam ser fortalecidas e reforçar a liderança das autoridades sanitárias em relação ao sistema de saúde. Assim, mudanças no modus operandi, alternando de uma gestão das condições agudas para uma gestão das condições crônicas, de uma gestão baseada em opiniões para uma gestão baseada em evidências e de uma gestão dos meios para uma gestão dos fins, denotam orientações inteligentes para se pensar em quais rumos o gestor contemporâneo tem que se pautar para atingir a qualidade de um resultado. Relatar as habilidades e competências de um novo gestor é um papel importante a ser discutido e avaliado neste novo período em que vivemos.